domingo, 5 de abril de 2026

Acampamento Terra Livre reúne 8 mil indígenas em Brasília


© Joédson Alves/Agência Brasil


Brasília recebe, a partir deste domingo, mais de oito mil lideranças indígenas para o Acampamento Terra Livre. O encontro marca o início do Abril Indígena, mês de mobilização nacional, resistência e visibilidade desses povos. Entre os principais temas estão o marco temporal, a demarcação de terras e a exploração de petróleo, gás e minerais em territórios indígenas. Também entram na pauta a crise climática, a democracia e as eleições. O coordenador executivo da Apib, Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, Dinamam Tuxá, explica o tema deste ano:

"E este ano nós trazemos como tema: 'Nosso futuro não está à venda, a resposta somos nós', justamente pegando ali o arcabouço dessa discussão geopolítica na disputa, principalmente, por metais raros, que está as terras indígenas ali sendo colocada com um grande potencial exploratório; a flexibilização da legislação brasileira na questão do licenciamento ambiental, com a lei que foi aprovada do marco temporal."

Dinamam Tuxá também destaca outras pautas importantes:

"Nosso eixo central desses 20 anos do Acampamento Terra Livre, que é a demarcação das terras indígenas. E no judiciário também da discussão de mineração, do marco temporal, também a utilização de defensivos agrícolas em terras indígenas. E este é o momento que nós se juntamos e aí fica mais evidente essa unidade dos povos indígenas que luta contra toda ou qualquer ameaça que venha ocasionar impacto dentro dos nossos territórios."

A programação inclui duas grandes marchas na área central de Brasília. Uma, na terça-feira, até o Congresso Nacional, pela derrubada de pautas anti-indígenas. Outra, na quinta, ao Palácio do Planalto, para cobrar do presidente Lula a demarcação de terras. Na sexta-feira, está prevista a leitura do documento final com as propostas do encontro.

Veja o calendário de pagamento da restituição do Imposto de Renda


Brasília (DF), 26/03/2026 - Tira-Dúvidas do IRPF 2026 - Imposto de Renda Pessoa Física. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil© Bruno Peres/Agência Brasil

Dá para ter dinheiro extra depois de declarar o imposto de renda? Felizmente, a resposta é positiva. Segundo a Receita Federal, cerca de 23 milhões de contribuintes devem receber a restituição neste ano. E se você faz parte do grupo, deve ter se perguntado: "quando vou receber o valor?". Em 2026 serão quatro lotes, pagos nos dias:

- 29 de maio

- 30 de junho

- 31 de julho

- 28 de agosto

De acordo com a Receita Federal, 80% dos contribuintes devem ser restituídos nos dois primeiros lotes. Ou seja, a expectativa é de que até junho o dinheiro já esteja na sua conta — pelo menos se você estiver entre esses 80%. E tem uma regra para essa lista de prioridades, como explica o professor do Centro Universitário UDF, Deypson Carvalho:

"A inclusão da restituição de direito do contribuinte obedecerá aos seguintes critérios legais de prioridade: Pessoa com idade igual ou superior a 80 anos; Pessoa com idade igual ou superior a 60 anos; Pessoa com deficiência e com doença grave; Contribuintes cuja maior fonte de renda seja o magistério; Contribuintes que utilizaram a declaração pré-preenchida e optaram por receber a restituição por Pix; e demais contribuintes", diz.

E como saber exatamente a data em que vai receber a restituição? É só consultar via internet. Quem detalha o passo a passo é o professor de ciências contábeis da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Alessandro Pereira Alves:

"Para o contribuinte saber quando vai receber a restituição do imposto de renda, ele pode consultar pela página da Receita Federal, no aplicativo da Receita Federal ou verificar diretamente no site www.restituicao.receita.fazenda.gov.br e informar ali o CPF e a data de nascimento", aponta.

Mas saiba que, enquanto a declaração estiver na malha fina, não tem pagamento de restituição. E se estiver tudo OK, ainda tem outro alerta importante do professor Deypson para passar por todo esse processo sem sufoco:

"A restituição do imposto de renda só pode ser creditada em conta corrente, conta poupança ou conta de pagamento pertencente ao CPF do titular da declaração, ou via Pix, desde que a chave seja o CPF do titular da declaração", fala.

Lembrando que o prazo para a declaração do imposto de renda começou no dia 23 de março e vai até o dia 29 de maio deste ano.

Fonte: 
Agência BrasilAgênciAgência Brasila Brasil

Trump anuncia resgate de segundo piloto abatido no Irã e chama operação de “audaciosa”


Foto: Reprodução/Bahia Notícias

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste domingo (5) o resgate do segundo piloto de um caça F-15E abatido no Irã, classificando a operação como uma das “mais audaciosas da história” do país.

 

Segundo o republicano, o militar estava em território iraniano após a aeronave ser derrubada no sudoeste do país. Autoridades iranianas reivindicaram o abate e teriam oferecido recompensa pela captura do piloto.

 

De acordo com relatos, os dois ocupantes do caça conseguiram se ejetar antes da queda. O primeiro piloto já havia sido resgatado anteriormente pelas forças americanas.

 

A operação para recuperar o segundo militar envolveu forças especiais e dezenas de aeronaves, em uma ação descrita como uma corrida contra o tempo em meio à presença de tropas iranianas na região. Houve troca de tiros durante a missão.

Em publicação na rede Truth Social, Trump celebrou o resgate. “Nós o pegamos! As Forças Armadas dos Estados Unidos realizaram uma das operações de busca e resgate mais audaciosas da história do nosso país”, escreveu.

 

“Tenho o prazer de informar que ele está agora são e salvo”, acrescentou o presidente.

Mais da metade dos senadores eleitos em 2018 deve tentar reeleição em 2026


Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

A cada oito anos, os brasileiros elegem dois representantes por estado para o Senado. Dos 54 senadores eleitos em 2018, pelo menos 32 devem disputar a reeleição nas eleições de 2026, o que representa mais da metade da atual composição com mandato em curso.

 

Entre os nomes que devem tentar permanecer na Casa estão figuras de destaque como Jaques Wagner, Angelo Coronel Ciro Nogueira e Renan Calheiros.

 

Além dos que buscarão um novo mandato, outros sete senadores já manifestaram intenção de disputar cargos diferentes, incluindo o senador Flávio Bolsonaro, que deve concorrer à Presidência da República.

 

Por outro lado, sete parlamentares afirmaram que não pretendem disputar as eleições deste ano, sendo que alguns devem se aposentar da vida pública, como Paulo Paim e Jader Barbalho.

 

Há ainda um caso indefinido, o do senador Flávio Arns, que não confirmou se participará do pleito.

 

Outro dado relevante é que sete dos senadores eleitos em 2018 já não ocupam mais seus cargos. Entre eles estão Major Olímpio e Arolde de Oliveira, que morreram vítimas da Covid-19, além de políticos que deixaram o cargo para assumir outras funções ou por decisões judiciais.

Projeto sobre antissemitismo divide opiniões entre censura e proteção a judeus


Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

De autoria da deputada Tabata Amaral (PSB-SP), um projeto de lei que define antissemitismo divide especialistas entre aqueles que veem na proposta um avanço na discussão de proteção à comunidade judaica e quem enxerga nela um risco à liberdade de expressão.
 

O principal ponto de tensão está no modelo de conceituação. O texto classifica como antissemitas, por exemplo, manifestações que "podem ter como alvo o Estado de Israel, encarado como uma coletividade judaica", ou que comparem as políticas israelenses às dos nazistas.
 

A base são os critérios adotados pela Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (ou IHRA, na sigla em inglês). A ideia do projeto é criar uma definição formal de antissemitismo no Brasil que possa orientar a criação de políticas públicas e ações educativas.
 

Especialistas consultados pela reportagem concordam que a criação de uma taxonomia seria positiva, mas se dividem sobre a proposta. Parte defende o molde do projeto ou a adoção de uma versão à brasileira, enquanto outra alerta para o risco de censura e interdição do debate.
 

A IHRA é um organismo multilateral do qual o Brasil deixou de fazer parte em 2025. Segundo diplomatas ouvidos à época, a adesão, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), foi feita de maneira inadequada. A controvérsia reside exatamente na definição de antissemitismo.
 

O professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Michel Gherman, coordenador do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos, é um dos que vê com preocupação a adoção do modelo da IHRA. Para ele, a proposta mistura a definição de antissemitismo com limites à crítica a Israel.
 

Gherman afirma que discussões sobre Israel e a questão palestina existem e fazem parte do debate, não deveriam ser interditadas. "Podem ser debates duros, radicais, com os quais eu tenho desconforto, mas se você deslegitima, propõe uma censura."
 

O professor alerta para os riscos práticos da aprovação de uma medida como essa citando o exemplo do Escola sem Partido, que visava combater uma suposta doutrinação no ensino. Mesmo sem uma ampla implementação legal, já teria gerado autocensura entre professores.
 

Já o coordenador-geral do Museu do Holocausto, Carlos Reiss, defende o parâmetro da IHRA por ele já ter sido pensado como uma ferramenta para governos e instituições públicas. Esse critério também abre espaço para um diálogo internacional sobre o tema, diz.
 

"Até hoje, a definição que melhor conseguiu encarar a necessidade de ser usada como base para políticas públicas é a definição da IHRA", continua ele, mas "não existe uma necessidade de se pegar a definição da IHRA ipsis litteris e traduzir para cá".
 

"Querendo ou não, a definição é uma tradução. Se as palavras originais já trazem ambiguidades, a tradução muitas vezes pode ser problemática", afirma Reiss. "Iniciativas internacionais de definição necessária podem e devem ser ajustadas por cada país."
 

Mas o dirigente sustenta, antes de tudo, que o debate seja feito. Ele critica grupos que misturam questões políticas, partidárias e ideológicas sobre Israel com o próprio reconhecimento da existência de ódio e preconceito sofrido por judeus brasileiros.
 

Após a apresentação do projeto, a equipe de Tabata relatou ataques dirigidos à deputada pelas redes sociais. Segundo a assessoria da congressista do PSB, uma equipe de advogados estuda registrar um boletim de ocorrência contra as falas mais graves.
 

A lista de autores do projeto é encabeçada por ela, mas foi composta por uma miscelânea de deputados, incluindo Kim Kataguiri (Missão-SP), Paulinho da Força (Solidariedade-SP), Otoni de Paula (MDB-RJ), Gilvan da Federal (PL-ES) e Heloísa Helena (Rede-RJ).
 

No dia 30, congressistas, em especial do PT, pediram a retirada de assinaturas: Heloísa Helena, Reginaldo Veras (PV-DF), Welter (PT-PR), Vander Loubet (PT-MS) Alexandre Lindenmeyer (PT-RS), Luiz Couto (PT-PB), Ana Paula Lima (PT-SC) e Reginaldo Lopes (PT-MG).
 

A despeito da repercussão, a proposta não tem perspectiva de votação. A bancada evangélica, mais inclinada a apoiar projetos de combate ao antissemitismo, ainda não se movimentou em favor do projeto. O PSB também vai analisar o texto para definir o melhor caminho.
 

Karl Schurster, livre docente pela Universidade de Pernambuco e assessor do Instituto Brasil Israel, diz que a preocupação da sociedade com o risco de censura e silenciamento é legítima, mas que isso pode ser resolvido no âmbito da discussão qualificada.
 

A definição de antissemitismo da IHRA não é a única no mundo. Existem outras vertentes, como da Declaração de Jerusalém, encampada por intelectuais israelenses e palestinos, e da Nexus, mais limitada, mas que tenta fazer uma mediação entre as duas.
 

"Se você olhar para as três, você não vai ser contra nenhuma delas, porque o objetivo final delas é o mesmo, o combate ao antissemitismo", afirma. "O fundamental é termos um acordo social e até político de que, sim, é importante definir o antissemitismo."
 

Professor de história, Schurster diz que, se entrasse na sala de aula, expusesse um mapa mundi e questionasse os alunos sobre onde fica Israel, 90% diriam que não sabem. "Mas todos são contra o sionismo, todos são contra a definição de antissemitismo", afirma.
 

"Estamos muito mais carregados por uma imagem de Israel que está na nossa cabeça do que propriamente sobre o conhecimento que a gente possui sobre isso", conclui ele. "Precisamos de um grande letramento social sobre antissemitismo."
 

De acordo com ele, independentemente do modelo conceitual, o importante seria uma definição à brasileira, que tivesse uma caracterização sobre antissemitismo que conversasse com todas essas linhas, mas também se adaptasse ao nosso contexto.